O modelo de negócio das MVNO com eSIM apresenta desafios específicos em matéria de interceção legal, em comparação com as MVNO tradicionais. As MVNO exclusivamente com eSIM representam um segmento em crescimento do mercado das telecomunicações. Ao eliminar completamente o cartão SIM físico, estas operadoras podem oferecer uma integração totalmente digital, ativação instantânea e gestão de perfis sem interrupções — características que atraem consumidores com conhecimentos tecnológicos e marcas que privilegiam o digital. No entanto, o modelo exclusivamente eSIM apresenta desafios específicos para a interceção legal que vão além daqueles enfrentados pelas MVNOs tradicionais. A natureza dinâmica dos perfis eSIM, a facilidade de troca de perfis e a ausência de pontos de contacto para a verificação física da identidade criam complexidades que têm de ser abordadas para conformidade regulamentar.
Este artigo analisa os desafios específicos em matéria de LI enfrentados pelas MVNO que operam exclusivamente com eSIM e apresenta soluções práticas para os resolver no âmbito dos quadros regulamentares e técnicos atuais.
O desafio da conformidade dos MVNO com o eSIM
Os MVNOs que funcionam exclusivamente com eSIM operam sem cartões SIM físicos. Os assinantes descarregam um perfil de operadora diretamente para o UICC incorporado no seu dispositivo, através da arquitetura RSP (Remote SIM Provisioning) da GSMA. Todo o percurso do cliente — desde o registo, passando pela ativação, até à gestão do serviço — é digital. Este modelo elimina a logística associada ao fabrico, distribuição e venda a retalho física de cartões SIM, permitindo uma operação empresarial mais ágil e escalável.
Do ponto de vista da interceção legal, o modelo exclusivamente eSIM partilha muitas características com as implementações tradicionais de eSIM, mas agrava certos desafios. A ausência total de distribuição de cartões SIM físicos significa que não existem pontos de contacto físicos onde a verificação de identidade possa ocorrer. A facilidade de gestão de perfis significa que os assinantes podem ativar, desativar e alternar entre perfis com o mínimo de dificuldade. Além disso, a base de clientes que privilegia o digital pode ser mais sofisticada do ponto de vista técnico e mais propensa a utilizar tecnologias que reforçam a privacidade.
Desafios relacionados com a verificação de identidade e o processo KYC
Os requisitos do programa «Conheça o Seu Cliente» (KYC) variam consoante a jurisdição, mas em muitos mercados europeus, os operadores têm de verificar a identidade dos seus assinantes antes de ativarem o serviço. No caso dos MVNO que operam exclusivamente com eSIM, esta verificação tem de ser realizada inteiramente através de canais digitais — não é possível efetuar verificações presenciais de documentos de identidade num ponto de venda. Os métodos de verificação digital da identidade incluem a identificação por vídeo, a verificação eletrónica de documentos de identidade, a autenticação por eID e a verificação da conta bancária.
The quality of identity verification directly affects the effectiveness of lawful interception. If a subscriber’s identity is not reliably established, law enforcement may be unable to find out which number or profile belongs to a suspect, and therefore which identifier to name in an interception order. eSIM-only MVNOs must implement robust digital KYC processes that meet the standards required by their regulatory framework and that provide a reliable link between the subscriber’s real-world identity and their network identity (IMSI, MSISDN).
Some jurisdictions have specific requirements for digital identity verification that operators must comply with. Germany’s TKG requires identity verification for prepaid mobile services before activation (§ 172 TKG). Remote procedures must be ones the Bundesnetzagentur has approved and must be certified by an accredited conformity assessment body. eSIM-only MVNOs must ensure that their digital KYC processes meet these specific national requirements.
Gestão do ciclo de vida dos perfis
Numa MVNO que opera exclusivamente com eSIM, o ciclo de vida do perfil — descarregamento, instalação, ativação, desativação e eliminação — é gerido inteiramente através de processos digitais. Cada fase deste ciclo de vida tem implicações para a interceção legal. Quando um novo perfil é descarregado e ativado, o assinante torna-se visível na rede com um novo conjunto de identificadores. Quando um perfil é desativado ou eliminado, o assinante desaparece da rede. Estas transições devem ser acompanhadas pelo sistema de interceção legal (LI) para garantir que as interceções possam ser mantidas ou ajustadas à medida que o estado do perfil do alvo se altera.
The reliable source for identifier changes is the MVNO’s own provisioning chain (BSS, HSS/UDM): every new profile and its IMSI is created there before download. SM-DP+ notifications (GSMA SGP.22) can add context, but they are best-effort and should not be the basis for interception. Integrating the LI system with the provisioning chain lets it show which profile and IMSI belong to an identifier named in an order, so the team can answer the agency’s follow-up requests quickly.
Os MVNO que operam exclusivamente com eSIM devem também ter em conta as implicações da portabilidade de perfis. Um assinante pode descarregar perfis de vários MVNO que operam exclusivamente com eSIM no mesmo dispositivo, alternando entre eles conforme necessário. A MVNO só pode interceptar comunicações no seu próprio perfil — quando o assinante muda para o perfil de outra MVNO, a MVNO original perde a visibilidade. A coordenação de interceções entre várias MVNOs que operam exclusivamente com eSIM exige que as autoridades emitam ordens separadas para cada operadora, o que pode representar um desafio operacional.
Identificação de alvos num ambiente exclusivamente com eSIM
A identificação do público-alvo para os MVNOs que operam exclusivamente com eSIM segue os mesmos princípios gerais que se aplicam a outras operadoras, mas com algumas nuances específicas. A segmentação baseada no MSISDN é simples se o destinatário mantiver o mesmo número. No entanto, as MVNO exclusivamente com eSIM podem oferecer serviços que facilitam mudanças frequentes de número — números virtuais, números temporários ou serviços com vários números —, o que complica a segmentação baseada no MSISDN.
IMSI-based targeting is tied to the specific profile. Each eSIM profile has its own IMSI, and if the target obtains a new profile (even from the same MVNO), the IMSI will change. If the target obtains a new profile, the IMSI named in the order stops producing traffic, and the existing interception reports the deregistration. The agency can then request the new identifiers through the national subscriber-data procedure (in Germany § 174 TKG) and obtain an amended order. Interception must never be extended to new identifiers automatically.
IMEI-based targeting provides device-level identification that is independent of the eSIM profile. This can be particularly valuable in the eSIM-only context, as the IMEI remains constant even when profiles are changed. However, IMEI-based targeting identifies the device, and dual-SIM devices use a separate IMEI for each active SIM or eSIM profile. An operator can only intercept traffic on its own network, so profiles of other operators on the same device are not captured; agencies must address those operators separately.
Soluções Técnicas
eSIM-only MVNOs should implement several technical measures to address the LI challenges specific to their model. First, integrate the LI system with your own provisioning chain (BSS, HSS/UDM), which is where every new profile and its IMSI is created; SM-DP+ notifications are best-effort and only add context. This is the foundation for recognising profile changes that affect a target. Second, make sure the LI system can task every identifier named in the order (MSISDN, IMSI, IMEI) and reports the IP addresses assigned to the target’s sessions, so that each intercepted session is attributed to the order it belongs to. Third, ensure that registration and deregistration events of the target are reported as standard IRI. Any additional eSIM-related information should only be delivered where the national handover specification provides for it.
Fourth, implement fast processes for handling profile changes: answer the agency’s requests for the target’s new identifiers promptly, and add a new IMSI or number only when an amended order names it. Interception must never be extended to new identifiers automatically.
Em quinto lugar, certifique-se de que os seus processos digitais de KYC produzem informações de identidade fiáveis que possam ser utilizadas para apoiar as autoridades na identificação de alvos. A qualidade dos seus dados dos assinantes afeta diretamente a eficácia da interceção legal e a vossa capacidade de responder aos pedidos das autoridades policiais relativos a informações sobre os assinantes.
Envolvimento com as entidades reguladoras
As MVNO que operam exclusivamente com eSIM devem colaborar de forma proativa com a sua entidade reguladora nacional para debater os desafios específicos em matéria de interceção legal (LI) associados ao modelo exclusivamente baseado em eSIM. É possível que as entidades reguladoras ainda não tenham considerado plenamente as implicações das operações exclusivamente com eSIM para a interceção legal, e um envolvimento proativo demonstra conformidade de boa-fé, ao mesmo tempo que ajuda a definir expectativas regulatórias realistas. As operadoras devem documentar a sua abordagem à conformidade com a interceção legal no contexto exclusivamente com eSIM, incluindo quaisquer limitações e as medidas que estão a tomar para as resolver.
Conclusão
eSIM-only MVNOs face unique LI challenges related to digital identity verification, profile lifecycle management, target identification, and the dynamic nature of the eSIM environment. These challenges are addressable through a combination of technical integration, well-defined processes, robust KYC procedures, and proactive regulatory engagement. Which of these measures you need depends on your model: a light MVNO relies on its host’s interception, while travel eSIMs that use a foreign operator’s profile are intercepted, if at all, in that operator’s country or as inbound roamers. By building LI considerations into the design of their eSIM-only operations from the outset, MVNOs can achieve compliance while maintaining the operational agility and digital-first experience that define their business model.
Considerações operacionais
Para além da infraestrutura técnica, os MVNOs que operam exclusivamente com eSIM devem estabelecer processos operacionais que tenham em conta as características específicas do seu modelo de negócio. A formação do pessoal deve abranger o ciclo de vida do eSIM e as suas implicações para o LI, incluindo a forma como as transferências de perfis, ativações, desativações e eliminações afetam as interceções ativas. A equipa de operações de LI deve compreender a relação entre a plataforma de gestão de eSIM e o sistema de LI e deve ser capaz de resolver problemas que surjam na interação entre estes sistemas.
Os procedimentos de resposta a incidentes devem abordar cenários específicos do eSIM, tais como um alvo que alterna rapidamente entre vários perfis, um evento em massa relacionado com perfis que afete o desempenho do sistema LI ou uma falha na integração entre a plataforma de gestão do eSIM e o sistema LI. Estes cenários são exclusivos do ambiente eSIM e exigem procedimentos de resposta específicos que os planos tradicionais de resposta a incidentes do LI podem não abranger.
A documentação é particularmente importante para os MVNOs que operam exclusivamente com eSIM, dada a novidade do modelo de negócio e o panorama regulatório em constante evolução. Mantenha uma documentação abrangente da sua arquitetura LI de eSIM, dos processos e dos resultados dos testes. Esta documentação demonstra a conformidade perante as entidades reguladoras e constitui uma base para responder a questões sobre a forma como a sua capacidade de LI aborda os desafios específicos do modelo exclusivamente com eSIM. À medida que o quadro regulamentar para o eSIM evolui, as operadoras bem documentadas estarão em melhor posição para se adaptarem aos novos requisitos e para demonstrarem que adotaram uma abordagem ponderada e proativa em matéria de conformidade.
The relationship between the eSIM-only MVNO and its host MNO also requires specific attention in the eSIM context. The host MNO’s network does not see eSIM profile events as such, only the registration and deregistration of each profile’s IMSI, so the interception mechanisms work as for physical SIMs; the LI arrangements should still be tested with profile switches and replacements. eSIM-only MVNOs should work closely with their host MNOs to ensure that the LI arrangements cover the full range of eSIM-specific scenarios and that the capacidade de interceção é validado através de testes exaustivos que incluem eventos do ciclo de vida do perfil do eSIM, a par de cenários tradicionais de interceção.
O mercado dos MVNO de eSIM está a crescer rapidamente e os requisitos regulamentares estão a evoluir em conformidade. Cada MVNO de eSIM deve garantir que a sua infraestrutura de LI é capaz de lidar com os desafios específicos de identificação associados ao aprovisionamento remoto de SIM.
Artigos relacionados
Para mais informações sobre temas relacionados, consulte estes artigos:
- eSIM e interceção legal: O que a arquitetura RSP significa para a conformidade
- MVNO vs MNO: Quem é legalmente responsável pela interceção legal?
- A lista de verificação MVNO LI: Tudo o que precisa antes de entrar em funcionamento
Recursos externos
Os seguintes recursos externos fornecem contexto adicional e documentação oficial:



